Os Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar

17 10 2009

por Cesar Santos

abrazos1_copy

Em Novembro, um dos filmes mais esperados do ano deve s er exibido pela primeira vez em terras tupiniquins. Trata-se de “Los Abrazos Rotos” (Os Abraços Partidos, em tradução livre), o mais novo filme do renomado diretor espanhol Pedro Almodóvar. O longa, que teve estréia na Espanha no mês de Março, ainda não possui data oficial para entrar em cartaz no grande ciruito brasileiro, mas já causa alvoroço entre os “cinéfilos” de plantão. Desde que foi apresentado no Festival de Cannes deste ano, ele ainda têm sido responsável por dividir a opinião de crítica e público. No entanto, em uma escala comparativa com outras de suas obras como “Fale com Ela” e “Tudo sobre minha mãe”, “Los Abrazos” é considerado menor pelos “fãs”.

Na trama, acompanhos o cineasta cego Mateo Blanco – interpetrado por Lluís Homar -, que divide a vida com seu outro eu, Harry Caine. Ele possui a ajuda da produtora Judit (Blanca Portillo) e a do filho dela, Diego (Tamar Novas), para seguir com a vida e continuar produzindo roteiros. Após a morte do conhecido economista Ernesto Martel e a volta de um personagem do passado, um mistério resta a ser descoberto sobre o que houve durante as gravações de seu último filme como diretor, “Gatas e Malas”. Um caso que envolve o grande amor dele e sua musa inspiradora, Magdalena – levada à vida pela belíssima atriz Penélope Cruz. Esta última é quem se sobressai na tela, em mais uma afirmação de que Penélope também é a diva de Almodóvar. No elenco, ainda têm-se as participações especiais – e muito curtas – de Rossy de Palma e Lola Dueñas, outras fiéis colaboradoras do espanhol.

abrazos01_right

Nas palavras de seu próprio autor, esta estória nada mais é do que uma homenagem ao meio sobre o qual se desenvolve: o cinema. Ali estão todas as referências que desejou exaltar, do gênero melodrama até ao suspense de Hitchcook – vide a cena em que Magdalena desaba sobre a escada. Há espaço até para homenagear a si mesmo quando retrata as cenas de “Gatas e Malas”, numa alusão ao seu “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”. E sobre este filme dentro do filme, ainda se trabalha a idéia de mais outro nos diálogos entre Mateo e Diego, mas Almodóvar cria a sua linguagem sem que se perca o sentido entre tantos paralelos. A narrativa foi parte das críticas negativas ao filme, mas é unânime que o diretor não descuidou do seu habitual nível de fotografia e estética, pois estes permanecem excelentes.

“Los Abrazos Rotos” não é o filme que muitos dos que estão acostumados ao estilo podem esperar. A figura feminina que não tem controle por ser passional está longe de aparecer em papel de protagonista, muito porque “Lena” é uma mulher forte e independente. Os papéis se invertem aqui, são os homens que mudam seus destinos por causa de um amor obsessivo, por exemplo. Todavia, por mais que se use e abuse dos caminhos óbvios – tal qual o da pobre moça que vende o corpo em prol de quem ama – sobrevivem no longa os temas que consagraram seu criador: o destino; a relação intensa entre pais e filhos; o cíumes e a culpa. Pedro Almodóvar permanece, enfim, reconhecível no mundo da sétima arte.

* * *

OBS.1: As cenas rodadas para “Gatas e Malas” acabaram dando um curta-metragem próprio, divulgado por Almodóvar na internet. Veja “A Vereadora Antropófaga” e depois vem contar pra gente se dá ou não pra acreditar que a senhora vereadora é ninguém menos que a mãe do diretor!

OBS.2: É fã de carteirinha do Almodóvar? Então que tal comprar estas xícaras de uma coleção assinada por ele e ter aquele charme na hora de tomar café. Tem até de “Los Abrazos Rotos” !








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.