Simplesmente Clarice

23 10 2009

por Amanda Pirozzelli

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Um dos maiores nomes da literatura brasileira, finalmente foi reconhecido com uma peça em sua homenagem. Clarice Lispector (1920-1977), autora de livros como “A Hora da Estrela”, “Laços de Família”, “Água Viva”, entre outros; foi homenageada com o monólogo “Simplesmente Eu. Clarice Lispector”, encenado, adaptado e dirigido pela atriz Beth Goulart.

Ao longo de dois anos, Beth pesquisou a fundo a vida e obra da autora, a fim de compor a personagem de Clarice e também de quatro de suas personagens, que segundo a atriz, acabam incorporando algumas características da escritora em seus perfis. Alegando que essas quatro mulheres se parecem com Lispector, a história alterna momentos de sua vida, com as histórias por ela narradas. O conteúdo do espetáculo, consiste em depoimentos, correspondências, entrevistas e trechos dos livros “Perto do Coração Selvagem”, “Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres”, além dos contos “Amor” e “Perdoando Deus”.

O monólogo traz temas como, reflexões sobre a criação, Deus, vida e morte, solidão, amor, loucura, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, arte, aceitação, inspiração e entendimento.

peçaAlém da extrema semelhança física entre a atriz e Clarice, para dar vida à escritora, Beth fez dois workshops com Daisy Justus, psicanalista especializada na autora, que analisa sua obra sob a ótica da psicanálise. Além disso, contou também com seis meses de preparação vocal e corporal. Encarnou perfeitamente Lispector, tanto na fala, misturando a língua presa e o sotaque pernambucano, como também no jeito de olhar e manias ao fumar um cigarro.

A peça atualmente em cartaz no Rio de janeiro e bastante elogiada pela crítica, está prevista para chegar a São Paulo no início de 2010. Vale ressaltar que este é o primeiro de uma série de projetos de direção e dramaturgia de Beth Goulart sobre figuras femininas brasileiras.

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OBS.1: Última entrevista da escritora, concedida à TV Cultura. Foi parte do material utilizado por Goulart para compor a personagem. Vale ressaltar que a entrevista possui 5 partes, sendo esta a primeira.
OBS.2: Site que reúne obras e informações sobre a escritora Clarice Lispector.
OBS.3: Um pouco mais sobre a carreira da atriz Beth Goulart





A modernização de Caymmi

19 10 2009

Por Sally Borges

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Lançado este mês pela Editora Barcarolla, o livro Caymmi sem folclore tem o intuito de revelar o outro lado do compositor Dorival Caymmi. O autor do livro, André Domingues, mostra que o cantor não tinha só laços com o folclore, mas teve grande envolvimento com o modernismo e o urbanismo.

Quando se fala em Dorival Caymmi, um dos grandes nomes da Música Popular Brasileira, o barulho do mar, mais precisamente de Salvador é tomado pelos pensamentos alheios. Natural da Bahia, além de compositor e cantor, Caymmi foi também violinista, ator e até pintor. Sua inspiração era totalmente relacionada à Bahia, compôs hábitos, costumes e tradições do povo baiano. Criou o seu próprio estilo de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e grande riqueza melódica. Suas obras mais populares são Saudade de Bahia, Samba da Minha Terra, Saudade de Itapuã, Maracangalha e O Que é Que a Baiana Tem.

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Intitulado pelos críticos e leitores como o livro que mostra Dorival Caymmi da “Bahia carioca”, o autor diz que a produção baiana ocorreu no Rio de Janeiro, na era de ouro da música popular. O autor ainda comenta que em sua terra natal, Dorival fazia marchinhas cariocas e que acabou refletindo o imaginário nacional. Domingues desconstrói o universo do folclore, da praia, do candomblé e do samba de roda que rodeiam o compositor. De acordo com o livro, o mundo da cidade, do rádio, da imprensa, da modernidade do século XX também faz parte da história de Caymmi.

O compositor faleceu ano passado com 94 anos. Por isso, Domingues analisa apenas desde 1938 a 1959 a vida artística de Caymmi, no qual foi o período em que o músico consolidou a carreira e cria a maior parte do seu repertório – das 109 canções compostas 69 vêm a público no intervalo de 20 anos. A trajetória começa com O Que é Que a Baiana Tem, sua primeira gravação que ficou conhecida na voz de Carmem Miranda, e termina com o LP Chega de Saudade. Apesar da crítica personalidade baiana de Caymmi, o livro não deixa de falar sobre sua vida espetacular e eternizada pela cultura brasileira.

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OBS.1: O crítico musical André Domingues dará um workshop com o titulo Dorival Caymmi – Em Busca da Brasilidade, nos dias 22 e 29 de outubro das 10h ás 12h, no auditório da Unidade Luz da Tom Jobim – EMESP. Faça sua inscrição aqui para participar e saber de todos os detalhes. Ou ligue para o telefone 35859888 para mais informações.

OBS.2:As grandes composições de Dorival Caymmi são disponibilizadas nesse site para todos que querem apreciar uma parte da nossa MPB.








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