Coco Antes de Chanel

8 11 2009

Por Paulo Lima

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No universo feminino, a marca Chanel se consolidou como incontestável sinônimo de elegância e de classe. Pouco se sabe, no entanto, que, muito antes de atingir este patamar, a icônica estilista Gabrielle “Coco” Chanel teve de enfrentar o mau olhado, o deboche e a inflexível tradição da sociedade do início do século XX. Com suas ideias visionárias, promoveu uma revolução no conceito de roupa feminina e introduziu no mundo da moda a mistura entre o preto e o branco, as bijouterias, os tailleurs e as roupas de jersey.

coco2Em “Coco Antes de Chanel”, Audrey Tautou, de “Amelie Poulain”, encarna a temperamental Gabrielle Chanel. Sua infância se resumiu a passar os domingos à espera de seu pai, em vão, num orfanato localizado no coração da França. No ápice de seus 20 anos, ganhou a vida como artista de cabaré, onde animava e ao mesmo tempo detestava uma platéia de prostitutas e soldados bêbados. Como o dinheiro era escasso, também consertava bainhas nos fundos de uma alfataria de cidade pequena. Solitária e desamparada, foi se refugiar no casarão de Etienne Balsan, que logo após descobriria ser uma extensão da vida decadente de Paris. Não quis se casar com Boy Capel, o único homem a retribuir o seu amor e aceitar os seus inusuais trajes.

O filme da diretora Anne Fontaine, além de passar pelas variadas fases de Coco, de uma órfã a uma lendária estilista, transcende o rótulo de biografia quando oferece uma perspectiva acerca do que influenciava a moda e inspirava a mulher na época. Um dos maiores interesses de Coco desde cedo, demonstrado na cena em que fica estática em meio a uma multidão em polvorosa só para observar as tendências e encontrar possíveis adaptações para a moda feminina. Acompanhamos o seu olhar sagaz, com câmeras em zoom que focalizam os brincos, os pesados vestidos e os chapéus emperiquitados. Sem contar as instâncias em que rasga a camisa de seu amante e a costura em seu vestido, quando descarta o espartilho para dançar melhor ou, por fim, utiliza roupa masculina para andar a cavalo.

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A graça do filme está em acompanhar Chanel na sua tentativa de remar contra a maré numa sociedade caracterizada pelos excessos na hora de se vestir, mostrando que a simplicidade consegue  chamar mais a atenção do que plumas, adornos, jóias e cintas. Em ver os seus olhos brilharem pela beleza prosaica dos sweaters listrados dos pescadores em Deauville ou constatar a sua euforia quando descobre que o preto e o branco das roupas das freiras de seu orfanato pode culminar em uma mistura revolucionária. Mais ainda, em rever a famosa cena na qual a estilista, sentada na escada coberta de espelhos de seu ateliê parisiense, é aplaudida de pé.

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OBS.1: As criações-conceito de Chanel jamais seaem da moda.

OBS.2: A estilista, que também desafiou a tradição encurtando os seus longos cabelos, inspirou o popular corte Chanel, que volta com força em Paris.

OBS.3: Para os que ainda não sabem, o poster brasileiro de “Coco Antes de Chanel” sofreu uma “adaptação”. Identifique o motivo.

 





O espetáculo de Christian Lacroix

25 09 2009

Por Carmen Carolina Souza

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Em comemoração ao ano da França no Brasil, o Museu de Arte Brasileira (MAB) traz ao público uma exposição cheia de luxo, beleza e exuberância. Christian Lacroix: Trajes de Cena é uma amostra do que é capaz fazer um gênio da moda ao reunir várias artes e transformá-las em peças únicas e cheias de significado.lacroix 3

 No salão escuro do museu, focos de luz iluminam desenhos, rabiscos e anotações que mais parecem obras de arte, por tamanha perfeição e detalhe, do que um próprio esboço. Christian Lacroix toca firmemente o papel para desenhar trajes de peças de teatro, óperas e ballet que, como ele mesmo diz, vestem tanto o caráter do personagem quanto o corpo e o espírito do ator.

 No percurso, é possível apreciar de perto nas grandes vitrines toda a elegância e a audácia de quase 100 figurinos originais prontos, como os da peça de teatro Otelo e da ópera Carmem, enquanto uma música instrumental clássica faz a trilha sonora e garante ao expectador a sensação de fazer parte de um grande espetáculo.

 O ponte forte da exposição é um espaço central cercado de cortinas brancas onde são projetados espetáculos cujos figurinos são de autoria de Lacroix. No chão, trajes rodeados de flores amarelas, vermelhas e brancas disputam a atenção com outros suspensos no teto, fazendo uma bela composição. Um verdadeiro espetáculo ao nível de um grande artista.

 Impossível não se deslumbrar com a inspiração e o trabalho de Christian Lacroix. A amostra fica em cartaz de terça a sexta das 10h às 20h e sábados, domingos e feriados das 10h às 17h até dia 1º de novembro. Vale a pena conferir.

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OBS.1:Interessante conferir a audácia e a criatividade de Christian Lacroix também nas passarelas com sua nova coleção primavera-verão 2009/2010

OBS.2: A vida ea obra desse gênio da moda pode ser conferida no livro Christian Lacroix do escritor e crítico François Baudot.





Lady Gaga: o elo entre a artista e a personagem

15 09 2009

Por Stefanie Duarte

Ela já foi comparada a Madonna e a Christina Aguilera. Já vendeu quase 10 milhões de cópias de seus singles Just Dance e Poker Face e tem na parede um disco de platina. Stefani Germanotta, 23 anos, estudou na mesma escola que Paris Hilton, compôs música para Britney Spears e pode se tornar tão ou mais famosa do que as duas – juntas. gaga02

Lady Gaga, como é conhecida, faz sucesso tanto por sua música quanto por seu guarda-roupa extravagante, que ignora quase completamente a existência das partes abaixo da linha da virilha. Lady nunca aparece sem maquiagem, e segundo a própria, sempre adorou roupas diferentes (que incluíam até mesmo sair de lingerie e salto alto em plenas ruas de Londres!) gaga 01

Lady Gaga se defina como uma “princesa de contos de fadas”, mas não foi bem assim que apareceu na última edição do VMA. Com quatro figurinos bizarros, que incluíam um look rendado vermelho, com rendas presas a uma coroa, que cobriam o rosto e uma roupa preta cheia de penas, com um chapéu a la “Tim Burton”.

A cantora incorpora uma personagem para se apresentar, como em “Paparazzi”, onde o show incluiu um visual branco com sangue artificial, Lady Gaga compõe uma imagem devorada pelo abismo que tem como porta triunfal de entrada…a imagem. É o que chamamos de Iconofagia, que nos transforma em seres humanos tridimensionais de carne e osso, necessariamente, em imagens.

Através da roupas, e da atitude, Lady Gaga não propõe uma troca com a moda, ou a incorpora de acordo com sua personalidade, mas se apropria da narrativa imagética que cria em torno do showbusiness. E como ela mesma diz “É tudo uma questão de coerência. O artista tem que ser na vida o que é no palco”.

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OBS.1: Site que contém a lista completa dos looks bizarros usados por Lady Gaga no VMA.

OBS.2: Página oficial de Lady Gaga, com vídeos, notícias e músicas da cantora que apresenta as performances um tanto misteriosas e bizarras da Lady , além de um blog onde se é possível comentar.








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