Arte Urbana

17 09 2009

Por Amanda Pirozzelli

gigante
Embora fosse mal interpretado antigamente, o grafite vem ganhando um espaço cada vez maior, considerado agora como arte contemporânea. Essa mudança de conceito, pode ser vista principalmente no Brasil, onde as pichações dão lugar a verdadeiras obras de arte com toda uma crítica social por trás dos desenhos. Um exemplo disso, são os irmãos paulistanos Gustavo e Otávio Pandolfo, mais conhecidos como Osgemeos, que fazem grande sucesso dentro e fora do país.

Não é a toa que ganharam tamanha notabilidade e fazem tanto sucesso no mundo inteiro. Os dois grafiteiros, têm trabalhos em muros dos EUA, Alemanha, Portugal, Grécia, Itália, Espanha, Austrália, Japão, China, Argentina, Chile e Cuba. Os irmãos de 35 anos, nasceram no bairro do Cambuci e começaram a fazer grafite no final da década de 80, junto ao auge do movimento hip hop no Brasil, do qual se diziam militantes. No entanto, no decorrer dos anos, seus trabalhos começaram a se distanciar da cultura hip hop, com uma extrema riqueza de detalhes que nada lembra as pichações.

0aaasogemeososgemeos8O estilo autêntico da dupla consiste num traço fino, desenhos com corpos quadrados e membros finos. Além disso, outras características dos gêmeos idênticos são o uso de figuras delicadas e muitas cores vivas, geralmente utilizadas no preenchimento das estampas nas roupas de seus “personagens”. Os temas presentes em seus trabalhos, vão desde a crítica social e política até retratos de família, expressando sentimentos contraditórios da vida na metrópole. Os irmãos, que não fizeram nenhum tipo de curso na área, afirmam que suas inspirações vêm da cultura popular brasileira e da arte do país.

Após ilustrarem um vídeo para a Nike, foram convidados a viajar por quatro meses, passando por cidades de sete países. A turnê que levava o nome Brasil, consistia em fazer uma festa brasileira em cada um dos locais visitados. Em cada cidade, acontecia a exibição do filme Ginga (Nike) e uma exposição dos grafites. Seu currículo também conta com uma grande exposição em Nova York no ano passado; a pintura de um castelo de 900 anos em Glasgow, na Escócia; a pintura de um gigante de 20 metros na fachada do Tate Modern, em Londres, considerado um dos museus mais importantes da Europa, além de grandes murais espalhados pelo mundo todo, como por exemplo, em Berlim. No Brasil, fizeram em março deste ano uma exposição chamada “Vertigem” que além do grafite, contava com obras de artes plásticas.

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OBS.1: Vídeo bastante curioso, que mostra passo a passo a pintura do Kelburn Castle, feita pelos irmãos em parceria com os grafiteiros Nunca e Nina.

OBS.2: Para os mais interessados, site dos artistas Osgemeos, contendo mais informações e fotos de suas obras.

OBS.3: Há ainda a opção de visitar uma página no Flickr onde os fãs publicam imagens de trabalhos realizados pela dupla.





Cyber Utensílios

16 09 2009

Por Paulo Lima

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O jurássico desenho “Os Jetsons”, lançado em meados da década de 1960, fez história ao projetar um futuro até então onírico e distante, onde casas dotadas de uma improvável autonomia eram personagens à parte, crias de alguma mente visionária. Mal se desconfiava que o progresso galopante da tecnologia fosse trazer aquele sonho de consumo tão perto da realidade. Atualmente, o design de interiores está cada vez mais associado às inovações tecnológicas. Reflexo disso é o exponencial aumento de materiais domésticos hi-tech em oferta.

As chamadas casas inteligentes ou smart houses são idealizadas com o único objetivo de tornar mais simples a vida de quem nelas habita, operando o controle de iluminação, aquecimento, temperatura da água, dentre outros fatores, conforme as condições atmosféricas ou as ordens remotas via Internet ou celular. Esses oásis tecnológicos vieram de protótipos que consistiam na execução de mil computadores capazes de fazer praticamente tudo dentro de uma casa. Com o refinamento da informática, logo foram se estabelecendo os modelos atuais, que se concentram na Europa e nos Estados Unidos.

Apesar de milionárias e reservadas à classe mais abastada da população mundial, as casas inteligentes estão ao alcance de todos. Ao menos, de modo figurado. A cobiçada automatização, hoje, se encontra exaustivamente presente nos aparelhos  que são vendidos como adornos ou utensílios domésticos.

living_colors

A Living Colors, da Philips, é uma luminária com LEDs que, combinados, preenchem o ambiente com uma infinidade de cores; o controle remoto é sensível ao toque, ajustando a cor e a intensidade da luz e, deste modo, despertando variadas sensações. Girando a Kymera Magic Wand, um controle remoto em forma de varinha, você muda de canal ou modifica o volume de qualquer TV. O roteador da Linksys by Cisco permite a troca de dados entre equipamentos eletrônicos: é possível escutar uma mesma música no som da sala ou no computador do quatro ou jogar um mesmo game em máquinas diferentes. Já o Harmony 1100, da Logitech, vai mais além, possibilitando o comando de até 15 aparelhos.

Em 2007, foi anunciado um produto que caracteriza essa experiência de fusão entre design e tecnologia, a Microsoft Surface. Com o formato de uma mesa comum, uma tela de 30 polegadas se situa sob uma tampa de plástico resistente. Ao tocar o monitor, as pessoas podem mover objetos para, por exemplo, desenhar, montar quebra-cabeças e até pedir comida em cardápio de restaurante online. O sistema também reconhece e interage com outros aparelhos colocados sobre sua superfície. O preço inicial do “brinquedo” sai em torno de US$ 5 a 10 mil, no entanto, a Microsoft pretende torná-lo mais acessível aos consumidores individuais dentro de alguns anos.

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OBS.1: O aparente mostruário de bagatelas é, na realidade, um excelente achado para quem pretende abarrotar sua casa com as últimas novidades tecnológicas. O Tecnotrekos lista, descreve e facilita a compra de utensílios curiosos encontrados em sites geeks.

OBS.2: Todas as curiosidades que giram em torno das casas inteligentes são provavelmente elucidadas no brilhante artigo de João Mauricio Rosário, professor de Engenharia Mecânica da UNICAMP.

OBS.3: A demonstração do funcionamento da Microsoft Surface divide opiniões acerca de sua sobrevivência no mercado. Alguns acham a mesa imbatível, enquanto outros a consideram vítima fácil da concorrência.

OBS.4: A eterna discussão que alude aos prós e contras da tecnologia, tão entranhada em nosso cotidiano, é sintetizada de maneira sutil e envolvente no texto de Antonio Prata, publicado pelo Estado de S. Paulo.

 

 








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