Por Paulo Lima
Você pode achar que se trata de uma mistura entre “Uma Verdade Inconveniente” com “O Dia Depois de Amanhã”. Afinal, é bastante previsível. Não. “2012″ não mostra um mundo que sofre as consequências da irresponsabilidade ecológica do ser humano. Desta vez, a humanidade paga por um acaso astrofísico, desencadeador do fenômeno supostamente responsável pela extinção dos dinossauros, que faz com que rajadas solares aumentem repentinamente a temperatura do interior do planeta. Assim, assistimos a continentes inteiros sendo engolidos por fissuras nas placas tectônicas e devastados por tsunamis pouco menores que o pico do Everest.
Esse cenário, como se sabe, foi antevisto por profecias de diversos povos antigos, mas o filme, ao contrário do que se espera, oferece um ínfimo espaço para o lado sobrenatural. É bem mais calcado no real. Se existe alguém que realmente previu a catástrofe, não foram os maias ou os hindus, mas um cientista apreciado no livro do protagonista. Vemos fiéis de todas as religiões sendo obrigados a aceitar a insuficiência de suas orações, muito bem ilustrada na cena em que o teto da Capela Cistina racha justo no contato entre o homem e Deus, no célebre afresco de Michelangelo, sugerindo um abandono do ser humano.
Mais uma vez, o apocalipse começa na terra do Tio Sam para, só assim, se difundir para o resto do planeta. Dentre todas as autoridades, apenas o presidente dos Estados Unidos (uma representação de Obama) apresenta resistência em se refugiar em arcas secretamente projetadas para resistir à hecatombe. Somente pessoas de alto cargo e prestígio sabem do fato e, se ameaçam contá-lo, são impiedosamente assassinadas.
O filme gira em torno de uma família que descobre o segredo e, ao mesmo tempo em que foge da morte e tenta alcançar o local onde se encontram as arcas, realiza uma série de acrobacias com carro e avião digna dos filmes de James Bond. Destaque para a cômica cena do Donut gigante.
Se a trama de “2012″ parece desinteressante devido ao batido mote do planeta sendo destruído pela natureza, um bom motivo para assistir diz respeito aos extraordinários efeitos especiais. O realismo dos desastres, assim como o desabamento da cúpula do Vaticano em milhares de fiéis (a cena do desmoronamento do Cristo Redentor no Rio é frustrante), compensa qualquer deficiência na narrativa. Esta que, aliás, é bastante revestida pelo modo americano de fazer filmes, que consegue abrir espaço para o melodrama em meio ao caos.
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OBS. 1: Todos os tipos imagináveis de teorias, conspirações, artigos e notícias sobre o fatídico ano de 2012 são reunidos no site Porque2012.com.
OBS.2: Desde 1947, funciona o Relógio do Fim do Mundo. Foi construído com base na premissa de que o fim dos tempos pode chegar de outra maneira.
OBS.3: Relembre e sinta, por meio desta matéria, como estava o clima diante da possibilidade de o mundo acabar no ano 2000.


