Por Paulo Lima

O filme “Up – Altas Aventuras”, a atual aposta da Pixar, faz parte de uma recente linha de desenhos que, nos moldes dos clássicos da Disney, tem seu trunfo na dramaticidade da narrativa. A aparente história insossa de um idoso que perde a sensatez ao tornar a sua própria casa um dirigível à base de balões se revela um verdadeiro ensaio sobre a vida. A temática mais adulta – que já nos primeiros minutos de filme consegue arrancar lágrimas dos mais sensíveis – não chega a intimidar porque é devidamente compensada com as muitas cenas hilárias.

Com cinco meses de diferença em relação à estreia americana, “Up” chegou ao Brasil já sob o vibrante impacto de uma bilheteria de US$ 290 milhões nos cinemas dos Estados Unidos. A animação mostra a surreal trajetória de Carl Friedrickson, um ancião viúvo e amargurado, e Russell, um garoto irritantemente animado, que partem em uma casa flutuante rumo às montanhas que divisam com a nossa Amazônia. As improváveis figuras que surgem, assim como cachorros que falam por meio de coleiras inteligentes, garantem boas doses de riso. Mas são instâncias que retratam perda e sofrimento que se apoderam de nosso humor.
No ano passado, “Wall-E”, o antecessor da Pixar, ganhador do Oscar e do Globo de Ouro no quesito de melhor filme de animação, provou o milagre que pode operar a mistura de mirabolâncias técnicas com sentimentalismo, onde foi esboçado um inimaginável romance entre robôs em cenário high tech de cair o queixo, o que cativou a muitos. Apesar de não estar à altura dos efeitos especiais de seu precedente, “Up” vai ainda mais fundo no sentido de promover rebuliços introspectivos.
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OBS.1: Nas primeiras exibições de “Up”, algumas pessoas, ainda se desconhece o motivo, não chegaram a assistir ao fantástico curta “Partly Cloudy”. A Pixar tem por tradição apresentar animações de poucos minutos antes dos títulos principais.
OBS.2: Reconhecimento é o que não falta ao brasileiro Guilherme Sauerbronn Jacinto. Ao menos, no Exterior. O talentoso jovem trabalhou como animador em “Up” e “Wall-E” e concedeu entrevistas a diversos jornais e redes de televisão americanos e latinos.
OBS.3: Difunde-se na rede uma tirinha bem sacada que satiriza a diferença entre os processos criativos da Pixar e da Dreamworks, as duas maiores concorrentes do segmento.
OBS.4: Vexatório recordar do ocorrido, mas é inevitável comparar a empreitada de Friedrickson à tragicômica jornada do padre Adelir Antônio de Carli, que adquiriu destaque nacional no ano passado.

